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Sem emprego, mais mulheres querem ser garotas de programa, dizem donos de boates

Para manter os boletos em dia e conseguir realizar sonhos, como fazer uma faculdade e comprar um apartamento, algumas mulheres que perderam o emprego têm optado por usar o próprio corpo para ganhar dinheiro como garotas de programa.

O dono de uma boate em Vila Velha confirmou que o número de mulheres procurando trabalho como garota de programa aumentou em função do desemprego e da crise econômica.

“São meninas que já têm curso superior ou que vão trabalhar depois de ir à aula na faculdade. É uma forma de elas tirarem o sustento para pagar os estudos, o carro e até o apartamento”, disse.

Essa foi a solução encontrada por uma mulher de 40 anos que era casada e, até 2017, trabalhava como manicure. Ela contou que tem uma filha que faz faculdade particular de Medicina e, com o dinheiro da prostituição, consegue pagar as mensalidades do curso, além de já ter comprado um carro zero e um salão de beleza.

“Eu iniciei depois que perdi o emprego e para conseguir pagar a faculdade da minha filha, mas é uma coisa que vicia, porque o cachê é alto”, comentou.

A garota de programa, que também gerencia uma casa de prostituição na Serra, contou que trabalha diariamente e que já chegou a atender até 13 clientes em um único dia.

Na casa que ela administra na Serra tem uma jovem de 25 anos que aluga um quarto para trabalhar. Ela começou a se prostituir no ano passado, após perder o emprego em um restaurante. “Foi o que apareceu para mim após a indicação de uma amiga. Eu só estudei até o ensino médio e aí fica difícil arrumar outra coisa”.

Ela disse que está fazendo um curso técnico de estética para conseguir uma qualificação. “O problema é que agora eu tenho um custo alto e talvez receber um salário mínimo não vá mais suprir as minhas necessidades”, explicou.

“O meu sonho mesmo é fazer Direito para defender e cuidar das pessoas”, revelou a jovem.

Os nomes dos entrevistados não estão sendo divulgados para preservar a identidade deles.

Risco de doenças e violência

Usar o próprio corpo como uma alternativa para ganhar dinheiro pode acarretar graves consequência à saúde, de acordo com o ginecologista Otto Batista.

O médico explicou que o maior problema são as doenças sexualmente transmissíveis (DST), como sífilis, Aids e hepatites B e C. “É nesse segmento que a gente vê o maior índice de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, que são gravíssimas”.

Otto Batista é ginecologista (Foto: Antonio Cosme  - 12/10/2015)

Otto Batista é ginecologista (Foto: Antonio Cosme – 12/10/2015)

Segundo o ginecologista, mesmo ao fazer uso de preservativos, as garotas de programa não estão 100% protegidas. “As formas de contaminação podem acontecer em diversos tipos de sexo, como o sexo oral e o beijo, onde há troca de saliva e secreções”, explicou.

A gravidez indesejada é outra consequência comum, afirmou Otto. “É um fator que as leva a tomar medicamentos abortivos e colocar a vida em risco”, observou. “Elas ficam vulneráveis a tudo. É comum as profissionais do sexo serem violentadas. Pode entrar um cliente que tenha feito uso de droga ou álcool e seja violento”.

Análise

“Explorar a prostituição é crime”, diz Flávio Fabiano, advogado criminalista e professor

“A prostituição não é crime, pois se trata de uma ‘troca’ voluntária e por conveniência de favores sexuais mediante recompensa financeira.

Porém, a exploração da prostituição é crime, chamado rufianismo, com pena de um a quatro anos de prisão e multa.

Flávio Fabiano é advogado criminalista e professor.  (Foto: Acervo Pessoal)

Flávio Fabiano é advogado criminalista e professor. (Foto: Acervo Pessoal)

No caso das boates e bares em que se realiza a prostituição, os estabelecimentos empresariais não prestam ou vendem esse serviço, mas, sim, bebida e comida.

Eles alugam quartos para que as garotas de programa possam trabalhar. Dessa forma, não há vínculo de emprego direto entre os donos dos estabelecimentos e essas mulheres”.

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