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Secretaria de Segurança divulga relatório detalhado sobre a investigação do duplo homicídio das crianças em Linhares

A Secretaria de Segurança do Estado divulgou durante a tarde desta quarta-feira (23) um relatório que mostra os detalhes da investigação sobre a morte dos irmãos Joaquim  Alves Salles de 3 anos e Kauã Salles de 6 anos, em Linhares no dia 21 de abril. Segundo o documento, ao longo de 31 dias de investigação, mais de 20 perícias foram realizadas. As imagens de câmeras de segurança usadas mostraram que o incêndio começou às 2h22 da manhã.

Os investigadores confirmaram que o pastor Georgeval Alves estuprou, agrediu fisicamente e ateou fogo nas crianças.

Às 2h24, testemunhas chegaram para ajudar e viram o quarto apenas com fumaça negra. Essas testemunhas ouviram a janela se quebrar e as imagens das câmeras mostram o clarão de chamas às 2h28, quando o incêndio se generaliza após a oferta de oxigênio pela porta e janela abertas. Confira o relatório completo.

Corpo de Bombeiros

As imagens de câmeras de segurança mostram fumaça saindo da casa às 2h22. Estima-se que a porta tenha sido aberta por volta de 2h20. Às 2h24, testemunhas chegaram para ajudar e viram o quarto apenas com fumaça negra. Essas testemunhas ouviram a janela se quebrar e as imagens das câmeras mostram o clarão de chamas às 2h28, quando o incêndio se generaliza após a oferta de oxigênio pela porta e janela abertas.

A guarnição de bombeiros chegou às 2h30 e, no início do combate, relatam que não havia mais mobília alguma no cômodo exceto os armários. Depois de aproximadamente 2 minutos após ter havido a ventilação houve o fenômeno de generalização do incêndio conhecido como “flashover”. E isso não é tempo suficiente para ter havido tanta destruição. Isso aponta para um desenvolvimento anormal do incêndio, que deveria ter sido acelerado antes da abertura da porta e janela, a fim de que o beliche e a escrivaninha fossem destruídos.

Analisando a cena, os bombeiros encontraram madeira da escrivaninha queimada em último estágio, ou seja, reduzida a minerais (cinzas brancas). Após o flashover, o fluxo de energia maior estava justamente no ponto de maior geração de energia (colchões) para as aberturas. A destruição do lado oposto do cômodo, fora da rota da ventilação, sugere um comportamento anormal do incêndio.

As possibilidades de fonte de calor primária para iniciar um incêndio são resumidas a quatro. A primeira é de descarga atmosférica, um raio, por exemplo, o que não houve. A segunda é por autocombustão, quando o fogo se inicia sozinho. Isso ocorre em situações muito especiais com combustíveis especiais ou matéria orgânica em decomposição em situações muito propícias. O que também não foi constatado. Sobraram duas possibilidades para o incidente: fenômeno termoelétrico ou ação pessoal.

– não foram encontrados vestígios de curto-circuito, nem nos equipamentos (ar, reator, babá, esterelizador) e nem nas fiações (queima de fora para dentro), descartam-se as tomadas e lâmpadas como focos de incêndio.
– os componentes da babá eletrônica ficaram bem preservados, incompatível para ser o foco inicial. O esterilizador não estava conectado (análise no local). Não havia ventilador.

Ação humana

A ação humana foi comprovada ainda pela detecção de combustível acelerador em amostras recolhidas pelos bombeiros e examinadas pelo corpo de peritos da PCES;

Ação pessoal com uso do acelerador é a única hipótese compatível com os dados do incêndio.

Análise da Polícia Civil

O departamento da perícia e departamento de criminalística foi responsável pelos exames do local do crime e pelo exame de parte dos materiais coletados. Participaram desse trabalho pelo menos 14 peritos oficiais criminais.
Contribuíram para a determinação da dinâmica dos eventos os resultados dos exames realizados com o luminol na residência, exames de materiais coletados na residência e analisados pelo laboratório de química e os dados extraídos dos equipamentos eletrônicos.

1ª perícia em Linhares: madrugada de sábado, dia 21 de abril

Foram realizados os procedimentos periciais iniciais, como fotografias e recolhimento dos cadáveres. O local estava escuro e insalubre, muito quente devido o incêndio. O perito constatou tratar-se de local de exame complexo o que demanda perícia de caráter multidisciplinar.

2ª perícia: terça-feira, dia 24/04 Núcleo de Engenharia Forense

Como demonstrou se tratar de um caso complexo – um incêndio de grande monta e com duas vítimas fatais – foi acionado o Núcleo de Engenharia, que realizou exame a respeito da causa e dinâmica do incêndio. A equipe foi composta por um engenheiro civil, um engenheiro de segurança e dois engenheiros eletricistas.

3ª perícia: sexta feira a noite, dia 27/04 realizada pelo núcleo de reprodução simulada e exames complementares

Foi realizado exame na casa em busca de material biológico, como sangue oculto e sêmen, utilizando o “Luminol” e luzes forenses.
Na residência, os peritos coletaram materiais encontrados a partir dessas técnicas e encaminharam para análise pelos laboratórios de Toxicologia e DNA.

4ª perícia: quarta feira à noite, dia 02/05, realizada pelo núcleo de reprodução simulada e exames complementares

Foram realizados exames no carro apreendido que estava sendo utilizado pelo George., em busca de material biológico, como sangue oculto. Para tal, foi utilizado o reagente químico Blue Star (conhecido como Luminol) e luzes forenses.
Os peritos encontraram um galão, cujo conteúdo foi encaminhado ao Laboratório de Química Legal, para verificar a presença de substância inflamável.

5ª perícia: sexta feira dia 11 de maio

Peritos voltaram à casa para realizar medições e coletar material para o branco do exame do LQL Barulho de pancadas: coleta de madeira como material de referência para exames laboratoriais.

Perícias internas
Seção de Eletroeletrônicos Foram realizadas extrações de dados em dispositivos móveis: dois celulares, dois tabletes e uma babá eletrônica. Esses exames forneceram informações relevantes para a instrução do inquérito.

Seção de audiovisuais Foi realizada a análise das imagens de videomonitoramento produzidas por uma câmera de um imóvel próximo à residência do incêndio, para verificar a movimentação de pessoas e veículos na data o ocorrido.

Departamento Médico Legal

Quanto à medicina legal, foi realizado o exame de necrópsia a fim de determinar a causa das mortes. Para complementar a perícia foram realizados exames radiológicos e colhidos materiais biológicos para investigação de abuso sexual, uso de álcool, drogas lícitas e ilícitas e cianeto e ainda exames histopatológicos.

Laboratório de DNA
Três peritos trabalharam na identificação dos corpos e análise de mancha suspeita em material coletado.

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