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Produtores desapropriados para construção de barragem reclamam do valor de indenização no ES

Cerca de 80 produtores rurais e donos de terrenos cortados pelo Rio Jucu foram notificados pela Justiça e terão que deixar as terras para a construção de uma barragem no local, entre Viana e Domingos Martins, no Espírito Santo. No entanto, eles reclamam que a Cesan quer pagar somente 60% do previsto para a indenização pela desapropriação.

A Cesan respondeu que os imóveis foram avaliados seguindo os procedimentos definidos na Norma Brasileira de Avaliação de Bens e que os valores estão depositados em juízo. Destacou que quem tem dúvida em relação ao valor das avaliações deve procurar a Justiça.

“Se a gente não deixar voluntariamente, vai ser usada força policial para fazer a desocupação. Eles ofereceram R$ 94 mil. Vou ter que deixar, forçado, receber um valor que é 60% desses R$ 94 mil, que daria uns R$ 50 e poucos mil, e não tenho para onde ir e colocar as coisas da piscicultura”, disse o piscicultor Júlio Cesar Velten.

Ele contou que possuía 72 tanques de peixes ornamentais na propriedade, mas teve que abandonar tudo, após o decreto do governo que declarou a terra como de utilidade pública.

“Já tem dois anos que eu acordo todas as madrugadas pensando nisso, eu tenho dívidas, dívidas em banco. Estou sem saber o que fazer, sem ter um rumo a seguir”, disse.

O agricultor Edilson Endlich passa pela mesma situação. Sempre tirou o sustento da terra onde cultiva banana e mandioca.

“Com isso daqui, eu sustento minha família, eu vivo daqui, trabalho meu dia a dia aqui. Quando veio a notícia da desapropriação, eu nem acreditei, perdi até o chão. Uma pessoa que sempre viveu na terra e, de uma hora para outra, se vê sem ela, fica sem saber o que pensar”, afirmou.

Com a determinação da Justiça, ele vai ter que sair da propriedade deixando tudo para trás. O problema, segundo Edilson, é o valor pago pela Cesan de indenização pela terra.

“Esse valor que eles ofereceram não dá para comprar terra em lugar nenhum do Espírito Santo, quanto mais numa região dessa aqui”, destacou.

Há quatro anos, a aposentada Maria da Penha Paiva comprou um sítio por R$ 60 mil. Desde então, ela construiu uma casa, plantou e, agora, a Cesan quer pagar R$ 31 mil pela propriedade, com tudo o que há dentro.

“Não tem cabimento. A gente está correndo atrás e espera que seja corrigido, que seja feita justiça, com valor bem mais justo”, declarou.

Ela foi notificada para sair do sítio, o prazo acabou, mas ela recorreu para que a Justiça reveja o valor da indenização.

Além das propriedades rurais, um condomínio de chácaras, em Domingos Martins, também começou a ser desapropriado. A maioria dos proprietários é de aposentados que mora no local e escolheu a terra para viver o resto da vida.

“A princípio, quando a gente comprou, o intuito era esse, de deixar a correria das grandes cidades e procurar um pouco de paz. Cerca de oito a nove meses depois de vir para cá, surgiu a notícia da construção da barragem e, de lá para cá, a vida da gente mudou, porque o psicológico foi muito abalado, precisando, às vezes, até tomar medicação para tentar dormir”, falou o aposentado Saulo Campos de Freitas.

O aposentado João Carlos Nogueira foi o primeiro morador a se mudar para o condomínio de chácaras, onde planejou viver até o final da vida. Agora, vai ser obrigado a se mudar e, segundo ele, a Cesan só quer pagar 60% do valor da indenização.

“Nós queremos a parte integral do que foi acordado com a Cesan”, declarou.

Saulo também destacou que só quer receber um valor justo “Ninguém é contra a construção da barragem, porque a gente sabe que é de interesse público. A gente não quer enriquecimento às custas alheias, só que a gente precisa ter um valor justo para poder comprar outro imóvel em outro local e tocar a vida da gente”, falou.

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