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Prefeito morto é flagrado em cinema de Dubai? Mensagem circula na internet

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Uma montagem grosseira, atribuída ao Gazeta Online, afirma que o ex-prefeito de Conceição da Barra,  Jorge Donati (PSDB), que faleceu em novembro de 2016, estaria curtindo a vida numa boa, vivo, em Dubai, nos Emirados Árabes. A informação viralizou entre grupos de Whatsapp de moradores do município.

Para esclarecer o boato, que é um dos assuntos mais buscados do portal na manhã desta terça-feira (03), a reportagem foi atrás de elementos para passar a limpo a história.

A imagem falsa que circula nas redes sociais vem acompanhada de um texto que diz que Donati foi visto em um cinema de Dubai, e que “a Interpol fez contato com autoridades brasileiras para pedir provas documentais do óbito do prefeito de Conceição da Barra”, por acreditar que Donati “simulou a própria morte para poder levar uma vida tranquila na terra dos Sheik’s árabes”.

Na época em que morreu, o ex-prefeito de Conceição da Barra estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e de lá o corpo de Donati seguiu para ser cremado no cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Como não houve velório ou enterro do ex-político no Espírito santo, muita gente ainda custa a acreditar que ele faleceu.

Foto é de fotógrafo do ES

Mas fato é que o ex-prefeito de Conceição da Barra não anda passeando por Dubai. A foto em questão, que circula no boato, é de autoria do fotógrafo Adriano Horta e foi feita no Espírito Santo. “Tem muito tempo que esta foto foi tirada, foi no período que ele estava todo enrolado com a Justiça. Essa foto foi feita aqui no Estado”, confirmou o fotógrafo.

Interpol

Procurada, a Polícia Federal, que responde pela Interpol no Brasil, não quis se manifestar sobre o assunto.

Prefeito morreu em novembro de 2016

Jorge Donati morreu às 13 horas do dia 3 de novembro, vítima de insuficiência cardíaca. Ele estava internado há 15 dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para o tratamento de uma cardiopatia e aguardava o transplante de coração.

Na ocasião, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que Donati descobriu que sofria de insuficiência cardíaca em fevereiro de 2016e, desde então, fazia acompanhamento em São Paulo. Foi após o período eleitoral que o prefeito ficou mais debilitado e teve de ser internado. Ele apoiou o prefeito eleito no município, Francisco Bernhard Vervloet, o Chicão (PSDB).

Donati já estava se preparando para fazer um transplante de coração. Ele passava pelos últimos exames, porém, há dois dias o quadro de saúde se agravou e ele não resistiu.

Aos 57 anos, Jorge Donati deixou esposa e um filho. Ele estava à frente da Prefeitura de Conceição da Barra há sete anos e dez meses, tendo sido reeleito para o comando do município, com 66,45% dos votos válidos, nas eleições de 2012. Ele foi o primeiro prefeito a ser reeleito no município.

Donati era acusado de três homicídios

O prefeito de Conceição da Barra, Jorge Donati, era acusado de três homicídios, dois deles em um crime bárbaro ocorrido em 2003, que chocou o Espírito Santo.

O “CRIME DA ILHA”

Cláudia Soneghete e Mauricéia Rodrigues foram assassinadas em 2003, na Ilha do Frade
Cláudia Soneghete e Mauricéia Rodrigues foram assassinadas em 2003, na Ilha do Frade
Foto: Arquivo A Gazeta

Em 2003, a Ilha do Frade foi cenário de uma tragédia. A dona de casa Cláudia Soneghete Donati, de 28 anos, e a empregada doméstica Mauricéia Rodrigues, de 20 anos, foram assassinadas dentro da mansão de Cláudia, em um dos bairros mais nobres da capital capixaba. Cláudia morava com o marido, o empresário Jorge Duffles Andrade Donati, e com o filho de 5 anos.

Segundos os autos, na tarde de 15 de janeiro de 2003, o caseiro da residência, Cristiano dos Santos Rodrigues, teria imobilizado, torturado e asfixiado até a morte as vítimas. Em seguida, com a ajuda do irmão, Renato dos Santos Rodrigues, teria enrolado os corpos em tapetes, cobertores e ateado fogo.

Após concluída as investigações, o Ministério Público apontou que Cristiano teria cometido o crime a mando de Jorge Donati, esposo da vítima. Donati estaria desconfiado da fidelidade da esposa e inconformado com o pedido de separação e partilha do patrimônio. Ele teria oferecido R$ 15 mil ao caseiro para executar Cláudia Soneghete.

Jorge Duffles Andrade Donati, no entanto, sempre negou o crime.


Como estão os acusados?

O jardineiro Cristiano dos Santos Rodrigues foi condenado a 38 anos e seis meses de prisão.  data prevista para o término da pena é 24 de março de 2051. Ele está preso na Penitenciária Estadual de Vila Velha I (PEVV I), localizada em Xuri, Vila Velha.

Renato dos Santos Rodrigues, irmão de Cristiano, foi absolvido do crime de homicídio e não foi condenado por receptação devido à prescrição da pretensão punitiva.

O processo de Jorge Duffles Andrade Donati foi remetido ao Tribunal de Justiça, tendo em vista Foro Especial adquirido por ser prefeito da cidade de Conceição da Barra.

MORTE DE SINDICALISTA

No dia 17 de outubro deste ano começou o julgamento do então prefeito de Conceição da Barra, Jorge Duffles Andrade Donati. O político era acusado de ser o mentor da morte do sindicalista Edson José dos Santos Barcellos, assassinado em junho de 2010.

A ação penal foi proposta pelo Ministério Público Estadual (MP-ES). O desembargador substituto Marcelo Menezes Loureiro, julgou procedente o pedido do MP-ES, condenando o acusado a 19 anos de prisão, com início em regime fechado.

Mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista da revisora da Ação Penal, a desembargadora substituta Heloísa Carielo. Com o desfecho, não havia nova data para a continuação do julgamento.

Teses

O procurador de Justiça do MP-ES Fábio Vello Correa, após a leitura do relatório, sustentou a tese de crime de mando. O procurador considerou o fato de o sindicalista ter elaborado um dossiê com os supostos crimes de improbidade cometidos pelo prefeito, além da intenção que a vítima tinha de denunciar o acusado à Câmara de Vereadores do Município e ao próprio órgão ministerial.

Logo depois das manifestações do MP-ES, a defesa contestou, trabalhando com a tese de crime de latrocínio, roubo seguido de morte. Em sua sustentação, um dos advogados do réu disse que os acusados de executarem o sindicalista não conheciam a vítima, tendo sido toda a ação guiada pela necessidade de roubarem um veículo para praticarem um assalto em um hotel.

A denúncia

Jorge Donati foi denunciado pelo Ministério Público como responsável pela morte do sindicalista, em 2010. De acordo com a denúncia, o crime foi executado por três pessoas. Uma delas disse, em depoimento à polícia, no dia 15 de junho de 2010, que foi contratado para matar o sindicalista a pedido de Jorge Donati, e teria recebido R$ 7 mil para executar o crime.

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