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Pesquisa aponta que estradas do Espírito Santo estão piores este ano

As condições das rodovias que cortam o Espírito Santo pioraram este ano na comparação com 2016. De acordo com a nova pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), dos 1.745 quilômetros percorridos, 67,7% (1.181 km) apresentam algum tipo de deficiência em seu estado geral. O número é mais que o dobro do total de trechos considerados bons. A situação é ainda mais complicada em relação às estradas estaduais, já que 81% do trecho avaliado possui irregularidades.

A 21ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias observa três critérios que, juntos, compõem o resultado geral das estradas. O pior deles foi a geometria, na qual 85,2% do trecho avaliado (1.486 km) é visto como insatisfatório. Esse quesito engloba a estrutura das vias, desde a existência de pista simples ou dupla até a presença da terceira faixa, pontes, viadutos e curvas perigosas.

Quanto à qualidade do pavimento, 60,5% da extensão avaliada (1.057 km) foi classificada como regular, ruim ou péssima, sendo que no ano passado esse mesmo índice era de 52,9%.

A piora dos dados também é evidente em termos de sinalização. Em 2016, 43,6% da extensão (1.043 km) foi considerada regular, ruim ou péssima. Já em 2017, este percentual subiu para 59,7%. Neste ponto são averiguadas a presença e a visibilidade de placas e de faixas.

“Todos esses elementos são essenciais para garantir a boa qualidade da via. A má classificação deles não só aumenta o risco de acidentes, como aumenta os custos do tráfego”, ressalta a professora de Infraestrutura de Transportes do curso de Engenharia Civil da UVV, Gesiane Silveira Pereira.

VIAS ESTADUAIS

Dos 1.745 quilômetros investigados pela CNT, 728 pertencem às rodovias estaduais. Mas enquanto apenas 137 quilômetros são tidos como bons ou ótimos, outros 591 estão mal classificados, sendo que 364 são vistos como ruins. Já nas estradas federais, do total de 1.017 quilômetros percorridos, 796 obtiveram resultados insatisfatórios.

“Os dados mostram que o problema está mais concentrado na gestão pública das estradas do que quando ela é transferida para concessionárias. Mais de 88% dos trechos administrados pelo governo (1.071 km) estão ruins, regulares ou péssimos. É uma classificação preocupante”, diz Gesiane.

Motorista paga a conta, e manutenção fica mais cara

A má qualidade das estradas que cruzam o Estado também eleva os gastos dos motoristas que trafegam por elas. Conforme estima a pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNTT), os problemas no pavimento das vias aumentam em 37,7% o seu custo operacional, já que além do maior uso de combustível, é preciso investir mais na manutenção dos veículos. Em 2016 este acréscimo era menor, de 26,1%.

Segundo o relatório, hoje seria necessário um montante de R$ 1,17 bilhões para solucionar questões emergenciais de reconstrução e de restauração das vias, incluindo a implantação de sinalização adequada. Já para a manutenção dos trechos considerados desgastados, o valor é estimado em R$ 140,14 milhões.

Entre as rodovias que obtiveram os piores resultados gerais, sendo classificadas como péssimas, estão a ES-261, que liga Laranja da Terra à Santa Cruz, em Aracruz, e os trechos ES 393/BR 393 e EST 484/BR 484.

Para especialista em transportes e professora da UVV Gesiane Silveira Pereira, os números reforçam a necessidade de mais atenção e investimentos. “Precisamos avançar. Vemos a situação ruim refletida nos acidentes que ocorrem cotidianamente”.

DER: pesquisa não considerou obras e melhorias em rodovias

Na avaliação do diretor-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER), Enio Bergoli, os dados da pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que apontam a piora da situação geral das vias em 2017, são inconsistentes. Ao contestar as informações, Enio garante que trechos de rodovias estaduais que foram classificados como ruins passaram por recentes obras de reabilitação.

“Para nós ficou claro que eles não foram a campo verificar os dados, pois consideraram uma piora em rodovias que reabilitamos entre o ano passado e esse ano. Um exemplo é a ES 257, que liga Ibiraçu a Aracruz. Nós a inauguramos no final do ano passado e foi feita uma reabilitação total. O mesmo foi feito no trecho da ES 060 que sai de Guarapari, passa por Anchieta e chega a Piúma”, afirma Bergoli.

Do mesmo modo, o diretor defende que há um problema na avaliação do trecho da ES 482 que liga Cachoeiro de Itapemirim ao distrito de Coutinho. Segundo ele, o trecho, classificado de modo geral como regular, ainda passa por melhorias, que deverão ser concluídas entre março e abril de 2018. Por isso, não poderia ser avaliado.

“Não se pode incluir na amostragem uma rodovia onde se está trabalhando. Os dados ficam inconsistentes”, argumenta ele, que enviou à CNT um ofício para questionar os resultados.

GEOMETRIA

Segundo Enio, a metodologia de classificação das estradas também desfavorece o Espírito Santo em relação ao critério da geometria. Este, por sua vez, refere-se à estrutura das vias, incluindo a existência de pista simples e dupla e a presença da terceira faixa, de pontes, de viadutos, de curvas perigosas e de acostamentos.

“Quanto mais reta for a pista, melhor é a geometria. Mas no Estado isso é difícil, pois o terreno possui muitos relevos. Então, naturalmente já somos prejudicados. Mas a pesquisa aponta uma piora desse critério em relação a 2016. Isso é impossível, pois a forma da pista já está implantada, não há como mudar. Ela poderia apenas melhorar através de obras de reabilitação para suavizar curvas e reduzir lombadas”, justifica.

Embora reconheça que o volume de investimentos do governo estadual em estradas ainda está abaixo do necessário, Bergoli pondera a situação do Espírito Santo é melhor do que a de outros Estados. “No Brasil inteiro os recursos são insuficientes. Mas, aqui, poderemos chegar a um volume de investimentos entre R$ 280 e R$ 300 milhões este ano. Proporcionalmente, estamos entre os Estados que mais investem nas malhas estaduais”, afirma.

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