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Os territórios onde mais se mata no Estado

Corpos de três jovens assassinados por encontrados em estrada de Padre Gabriel, em Cariacica

Viver em vinte áreas específicas na Grande Vitória é bem mais arriscado que em outras regiões do Estado. São territórios, às vezes envolvendo mais de um bairro, onde foram registrados 294 mortes, mais de 20% dos casos ocorridos em todo o Espírito Santo até o último dia de 2017.

Em 2016, nestes mesmos territórios, considerando somente onde houve aumento nos casos – um total de

12 regiões -, morreram de forma violenta 257 pessoas. Uma diferença de 12,58%, o que significa dizer que em 2017, nestas localidades, foram assassinadas 37 pessoas a mais do que em 2016.

Estas áreas estão, principalmente, nas cidades onde a violência imperou: Serra (312), Cariacica (179), Vila Velha (162) e Vitória (85).

Acompanham ainda o cenário da Região Metropolitana da Grande Vitória, que registrou, em seus cinco municípios, 799 mortes violentas no ano que terminou. Um crescimento de mais de 20% em relação ao ano de 2016.

Mapa dos homicídios

Violência

O maior destaque entre os territórios fica com os seis que estão localizados na região da Serra, município recordista em assassinatos. Todos eles registraram mais de dez mortes no ano passado.

Em Carapina, por exemplo, foram 46 homicídios, 13 a mais do que no ano anterior. É seguida de perto por Feu Rosa, com 34, e Jacaraípe, com 26. Temos ainda Novo Horizonte (14), Nova Almeida (11) e Planalto Serrano (10) – veja detalhes no infográfico ao lado.

Em Vitória chama a atenção o território de São Pedro. Em 2016 lá foram registrados nove mortes. No ano passado foram dez a mais, totalizando 19 mortes. Também chama atenção o crescimento deste tipo de morte no território da Ilha do Príncipe, cinco a mais do que no ano anterior, totalizando nove, em 2017.

Em Vila Velha destaca-se a região de Terra Vermelha, com 30 homicídios, seguida por Santa Rita (20), São Torquato (9) e Soteco (7). Em Cariacica o recordista é Flexal (12), e em Viana o território Nova Bethânia, com três homicídios a mais do que em 2016.

Um destes locais violentos, por exemplo, é Padre Gabriel, localizado em Cariacica. Lá foram registrados, no ano que terminou, dez mortes. Um dos destes registros ocorreu no dia 2 de outubro, quando foram mortos três jovens. Os corpos foram encontrados abandonados em uma estrada. Dois deles estavam algemados.

No local do triplo homicídio foram recolhidas 19 cápsulas de um mesmo calibre de arma – a polícia não o especificou. Na noite do crime a comunidade relatou que foram ouvidos cerca de 30 tiros. A maioria deles atingiu o tórax e a cabeça de Diego Dias de Oliveira, 27 anos, João Paulo Gomes, que é de Minas Gerais, e o adolescente Lucas Rodrigues de Souza, 17, encerrando suas histórias.

NÚMERO DE HOMICÍDIOS FOI MAIOR EM 43 CIDADES

A violência contra a vida humana esteve presente de forma mais efetiva em 43 cidades capixabas, onde houve aumento do número de homicídios. É o que aponta o balanço de mortes violentas do Estado relativo ao ano de 2017, que fechou com um total de 1.403 assassinatos. No ano anterior tinham sido 1.181.

Um dado que chama a atenção é que apenas sete dos 78 municípios do Estado concentraram 70% dos homicídios registrados no ano passado no Espírito Santo. São eles: Serra, Cariacica, Vila Velha, Vitória, Linhares, São Mateus e Aracruz. Informação divulgada com exclusividade, na última quinta-feira, pela coluna Leonel Ximenes.

Por consequência, a Região Metropolitana registrou o maior número de assassinatos. Foram 799 em 2017, contra 661 em 2016. Houve um crescimento de 20,9%.

Mas foi a Região Norte que registrou, percentualmente, o maior impacto deste tipo de violência. Foram 476 assassinatos, contra 382 de 2016. Um crescimento de 24,6%.

Nesta região a liderança ficou com Linhares, com 86 mortes em 2017. Um total de 42 pessoas a mais perderam as suas vidas em relação a 2016. A cidade vem sendo seguida de perto por São Mateus (67) e Aracruz, com 47 mortes.

Onde ocorreram as mortes
Onde ocorreram as mortes
Foto: Infografia

Queda

Já a Região Sul apresenta um cenário diferente. Por lá foram registradas 128 mortes violentas, contra 138 de 2016. O que significa que houve uma queda no número de homicídios de 7,2%.

Outro ponto que se destaca é que, em função do aumento do número de homicídios, que voltou a crescer após sete anos de queda, também subiu a taxa de mortalidade, medida por 100 mil habitantes. Em 2016 ela era de 29,7, subiu para 34,9, em 2017, voltando a superar os patamares de 2014.

SESP: GREVE GEROU AUMENTO

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Segurança (Sesp) afirmou que o Estado vem reduzindo os homicídios há sete anos. Segundo a secretaria, a paralisação da PM, em fevereiro, refletiu nos meses seguintes. No entanto, “o segundo semestre apresentou redução que permite acreditar na volta da normalidade de redução neste ano, com 18%”.

A secretaria afirma ainda que, em 2018, a tendência é voltar a reduzir esse índice, com reforço de efetivo por meio de concursos públicos, investimentos em equipamentos, como viaturas e armamento de países de referência.

ANÁLISE

“Descontrole do Estado”

“Os dados apontam um retrocesso nas políticas de segurança, o que é preocupante, pelo risco que representam para as populações das regiões mais violentas. Vale destacar que existem fatores que vão além do combate à criminalidade e que não se restringem só à atuação policial. Ainda temos concentração de renda, um cenário econômico difícil, com desemprego. Situações que levam as pessoas a viveram em uma condição social que fragiliza mais a sua situação. Em paralelo há um descontrole do Estado, e não só do combate final, da repressão, mas também nos setores de inteligência”.

Joilton Rosa – Cientista social e professor da Faesa

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