Home / Noticias / Bitcoin fez estudante do ES gastar R$ 12 e que renderam mais de R$ 60 mil

Bitcoin fez estudante do ES gastar R$ 12 e que renderam mais de R$ 60 mil

m um período de seis anos, o estudante de direito Roger Pavan, de 26 anos, transformou cerca de R$ 12 em mais de R$ 60 mil. O lucro não foi fruto de muito esforço, mas sim de uma verdadeira aposta: a compra de uma unidade da moeda virtual bitcoin, um investimento considerado de alto risco por especialistas da área atualmente.

O bitcoin foi criado em 2008. Ao contrário de outras moedas, como o dólar ou o real, não é emitido pelo Banco Central de um país. O responsável por sua “criação” é um complexo programa de computador.

Por meio de espécies de casa de câmbio na internet, os investidores criam uma carteira virtual e usam dinheiro real para comprar bitcoins. A moeda ganha ou perde valor de acordo com a demanda, de uma forma similar a uma ação vendida na bolsa de valores. E, de 2008 para cá, a procura por bitcoins cresceu, elevando o valor da moeda.

Investidores capixabas

Só neste ano, a moeda virtual subiu cerca de 900%. Quem investiu no início, conseguiu multiplicar seu capital, como é o caso de Roger Pavan, que comprou a primeira moeda em 2011, por aproximadamente R$ 12. Nesta quarta-feira (20), a unidade do bitcoin valia mais de R$ 60 mil.

Ele explica que, na época, foi atraído pelo fato de a moeda não estar vinculada à nenhuma entidade e, por isso, não ter um controle das transações ou tarifação. Sem um banco por trás disso tudo, o elemento que garante a legitimidade da transação é um algoritmo matemático.

“Achei interessante a proposta de uma moeda digital totalmente descentralizada, sem influência de qualquer entidade. Não tem um controle fixo, ninguém pode bloquear”, disse.

O estudante de direito é um dos milhares de capixabas que viram no bitcoin uma forma de aplicar dinheiro.

De acordo com uma das maiores empresas do Brasil de intermediação entre investidores de bitcoin, cerca de 7.500 pessoas de Vitória e Vila Velha investem em bitcoins.

Outro capixaba, que não quis ter o nome revelado, tem 24 anos, trabalha como engenheiro de software, e conta que investir em bitcoin tem o ajudado a construir uma “pequena fortuna”.

Seu primeiro contato com a moeda aconteceu por volta de 2011, quando um cliente canadense ofereceu pagamento em bitcoins pelo serviço de computação que havia contratado. Hoje, aos risos, ele conta que foi o melhor negócio que já fez.

“Eu não sabia como receber o dinheiro, e ele ofereceu um pagamento em bitcoins e eu disse ‘ah, não tem como receber, me paga com isso aí mesmo’. Eu nem sabia o que era aquilo direito. Achei que não ia dar em nada. Só que não.”, brincou o jovem.

Na época, ele recebeu 10 bitcoins. De lá para cá, usou uma parte para comprar produtos pela internet. Outra quantia foi investida na compra de outras moedas virtuais. Com a valorização do bitcoin, ele usa o que tem como um verdadeiro investimento.

“Eu mantenho um piso lá. Vou investindo e, do lucro, tiro uma porcentagem. Se um dia quebrar, tive meus saques regulares. E eu não dependo disso hoje, é uma renda extra, uma possível pequena fortuna”, finalizou.

Ele não quis revelar quanto já lucrou com as moedas virtuais.

Especialista aponta vantagens e riscos

O consultor e pesquisador em segurança digital, Gilberto Sudré, pontuou características consideradas positivas e negativas quando o assunto é moeda virtual.

Ele explica que o que atrai muitos investidores é o fato de que a moeda não é gerida por um banco, e as transações não são controladas pelo governo.

“Não tem nenhum órgão controlador por trás, então não tem como tarifar ou controlar essa moeda. Foge do circuito normal de governo. Quando eu deposito em um banco, se eu quero movimentar uma quantidade de dinheiro grande, o governo fica sabendo. Se eu quero fugir disso, vou pro bitcoin”, disse.

Além disso, Sudré pontua que, nas transações, os investidores não são revelados. As carteiras digitais têm apenas números, que não identificam quem está pagando e quem está recebendo.

Como a prática pode abrir portas para transações de quantias cuja origem é ilegal, a Receita Federal passou a cobrar que os bitcoins sejam declarados.

Sudré também alerta para o risco de investir na moeda virtual. “É um ativo de risco, porque a cotação é lastreada em demanda, pode variar muito em um mesmo dia. Você pode investir uma grana e dali a três dias estar com 80% menos. É um risco altíssimo”, disse.

Mas o especialista reconhece que as moedas virtuais são, possivelmente, o futuro na área das finanças. “As criptomoedas em geral vieram para ficar. Pode até mudar de nome. Mas não vão acabar. A tecnologia por trás do bitcoin, que permite que faça autenticação de vários elementos sem precisar de um terceiro, ainda vai dar muitos frutos”, disse.

Diante das vantagens e dos riscos, o especialista pondera. “Não dá para demonizar o bitcoin e nem vê-lo como salvação da lavoura. É uma tecnologia que pode ser usada para o bem ou para o mal. Tem seus prós e seus contras”, concluiu.

Veja perguntas e respostas sobre a moeda virtual

O que é bitcoin?

É uma moeda virtual criada em 2008 e a primeira a usar criptografia. Ao contrário das moedas físicas, como o real ou o dólar, o bitcoin não é emitido pelo Banco Central de nenhum país. O responsável por sua “criação” é um programa de computador central e complexo, que vamos explicar mais adiante.

Uma peculiaridade do bitcoin, é que todas as suas transações são públicas e podem ser checadas por qualquer um. O que é exibido, no entanto, são os números das carteiras virtuais envolvidas na transferência e quanto foi enviado.

Para comprar bitcoin, é preciso instalar um software no computador ou smartphone e seguir as instruções para criar seu par de chaves criptográficas. Esse processo é automático e muito simples. Isso gera um “endereço bitcoin”, uma carteira digital que funciona como um número de conta corrente.

É possível adquirir moedas de duas formas: em casas de câmbio específicas ou sendo um “minerador”, alguém que participa das transações e é recompensado com novos bitcoins por isso.

Como é o sistema de compra e venda?

As transferências de bitcoin acontecem entre as carteiras do comprador e do vendedor. A transação dura alguns minutos. Para ser efetivada, ocorre um processo complicado nos bastidores.

Todas as transações são reunidas em blocos. Cada bloco é ligado ao anterior por um elo, um código chamado “hash”. Juntos, eles formam uma “corrente de blocos”, ou “blockchain”.

Os responsáveis por montar a “blockchain” são os chamados mineradores. Eles reúnem as transações que estão sendo incluídas na rede, mas ainda não foram colocadas em um bloco. Além disso, o minerador tem de calcular o “hash” certo para formar a ligação entre os blocos. Como os cálculos são bastante complexos, há um custo computacional bastante grande.

É por isso que computadores domésticos comuns não têm chance de competir com os mineradores profissionais, que fazem uso de supermáquinas para conseguir o maior número de tentativas no menor período de tempo.

O que ganham os mineradores?

Como recompensa por manter a rede funcionando, o minerador fica com uma certa quantia de bitcoin. Ele também ganha quando os envolvidos na transação querem que a transferência seja incluída logo no bloco. Para isso, têm de pagar uma taxa.

É seguro investir em bitcoin?

Bitcoin é considerado por especialistas em finanças um investimento de alto risco. A cotação da moeda oscila conforme a demanda por ela, em um sistema similar a uma ação na bolsa de valores. Nada garante que se você comprar um bitcoin ele valerá mais no futuro.

Bitcoin é ilegal?

As moedas virtuais ainda enfrentam questões em torno da sua regulamentação. Alguns países se mostram favoráveis ao seu uso, como Japão, Suíça Reino Unido e Estados Unidos. Outros, como Bolívia, Tailândia e Índia, proíbem algumas formas de transações financeiras com moedas que não são emitidas pelo governo.

Em ataques hackers, é comum que os criminosos solicitem pagamento em bitcoin para liberar, por exemplo, um sistema invadido. O motivo é que a compra e venda da moeda não é regulada e o nome dos investidores é sigiloso, o que dificulta a identificação dos suspeitos.

No Brasil, o bitcoin é regulado?

Não. Nem o Banco Central, nem a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentam aplicações em bitcoin.

O que diz o Banco Central do Brasil?

O Banco Central não recomenda o investimento em bitcoin. O presidente do BC brasileiro, Ilan Goldfajn, classifica o bitcoin como um investimento de alto risco e vê na moeda virtual indícios de bolha financeira.

É possível comprar algo com bitcoin?

Sim. Algumas empresas aceitam bitcoin como forma de pagamento. Apesar disso, sua aceitação ainda é restrita. O mais comum é trocar bitcoin por outras moedas em casas de câmbio e depois comprar o bem desejado usando dinheiro.

Infográfico: Como funciona o bitcoin (Foto: Igor Estrella/G1)Infográfico: Como funciona o bitcoin (Foto: Igor Estrella/G1)

About Marcelo Ribeiro

Check Also

Menina de oito anos é atingida por tiro de arma disparada pelo irmão de 11 anos em Vitória

A menina deu entrada no Hospital Infantil na tarde de segunda-feira (24) Uma menina de …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *