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Advogadas presas no ES recebiam R$ 300 por cada visita aos presos, diz polícia

O Nuroc recebeu cartas e uma agenda, que comprovam a participação das duas advogadas como uma espécie de pombo-correio do crime.

As duas advogadas que foram presas nesta terça-feira (20), em uma operação do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nuroc), recebiam R$ 300 por cada visita aos presos, segundo a Polícia Civil. Elas são suspeitas de facilitar a comunicação entre detentos e facções criminosas através de bilhetes e cartas.

O Nuroc recebeu cartas e uma agenda, que comprovam a participação das duas advogadas como uma espécie de pombo-correio do crime.

“Tinha ordens de aquisição e pagamento de grande quantidade de drogas, 250 kg de maconha em um bilhete, armas em outro, distribuição de tarefas dentro da organização [criminosa]. Eram recados, mandos, de líderes de organização, parte significativa já identificada. Tínhamos também o apontamento dos nomes de diversos outros advogados”, explicou o chefe do Nuroc, Raphael Ramos.

As cartas e a agenda passaram por perícias na Polícia Civil, para comprovar que foram escritas pelas advogadas.

“Nós utilizamos o prontuário civil, onde tem a assinatura que a pessoa produz quando vai fazer a carteira de identidade, e confrontamos então essa assinatura e esse material que foi entregue pelo Nuroc com as peças questionadas”, falou a perita criminal Jandira Brandão.

Segundo a polícia, as advogadas escreviam os bilhetes durante as visitas aos presos. O delegado informou que elas recebiam R$ 300 por cada visita: os detentos ditavam o recado, elas escreviam tudo da forma como eles falavam e depois entregavam às pessoas indicadas pelos criminosos.

“O que chamou a atenção foi a utilização da linguagem coloquial. Dava a entender que a pessoa estava reproduzindo exatamente o que tinha ouvido, como gírias. Tanto é que na agenda tinham vários textos diferentes e cada um abordava um vocabulário diferente”, completou a perita.

O delegado chefe do Nuroc explicou que outras cartas estão sendo investigadas e mais advogados podem responder a inquéritos.

“O que nós preferimos é trabalhar com a inteligência primeiro e encontrar justa causa para uma investigação bem madura. Estamos tentando encontrar a maior quantidade de provas e informações, e instaurar os inquéritos nos momentos exatos”, falou Raphael Ramos.

Advogadas presas no ES — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Advogadas presas no ES

Além das advogadas, outras sete pessoas estão presas. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) informou por nota que está acompanhando as investigações sobre o caso e que avalia a abertura de um processo ético-disciplinar contra as presas.

Uma das advogadas trabalhava também na Câmara Municipal de Vila Velha, que já divulgou que vai exonerá-la.

Visitas de advogados

O subsecretário de Justiça, Alessandro Souza, explicou que os advogados têm direito a visitas diárias aos detentos e que, na vistoria realizada no presídio, só são recolhidos aparelhos eletrônicos.

A Secretaria de Justiça informou ainda que já estuda algumas mudanças nas visitas de advogados ao sistema prisional

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One comment

  1. Olá td bem? Amei seu post,seu conteúdo esta muito bom. Vou acompanhar o blog ,Sucesso 🙂

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